Por: Lala Evan
Vivemos na chamada economia da atenção — um tempo em que o ativo mais disputado não é o dinheiro, mas o nosso foco. Plataformas, aplicativos e conteúdos são cuidadosamente desenhados para capturar e manter nossa atenção o máximo possível. Isso transforma cada notificação, vídeo ou “scroll infinito” em uma disputa silenciosa pelo nosso tempo mental.
Agora imagine como isso afeta um jovem.
Alguém que está em fase de construção da identidade, das escolhas, dos sonhos.
Na prática, estamos esperando que eles façam grandes decisões de vida — profissão, valores, caminhos — enquanto são bombardeados por uma avalanche de estímulos, distrações e padrões inalcançáveis.
É aqui que entra o papel urgente da educação empreendedora com pensamento crítico.
A escassez não é de informação. É de sentido.
Não falta conteúdo. Falta curadoria, reflexão e propósito.
É por isso que no EmpreenderFuturo não falamos apenas de abrir um negócio.
Falamos sobre reconhecer um problema real, formular boas perguntas, testar hipóteses e enxergar o impacto das escolhas.
Tudo isso são expressões do pensamento crítico — a habilidade de parar, analisar e decidir com consciência, em vez de apenas reagir.
Empreender é resistir ao piloto automático
Ser protagonista da própria vida exige mais do que boas ideias: exige clareza, coragem e consciência.
E isso começa no exercício mais invisível (mas poderoso) do século XXI: escolher onde colocamos a nossa atenção.
Na jornada do jovem empreendedor, isso pode significar:
Questionar: esse problema que estou tentando resolver… é real para alguém?
Filtrar: esse conteúdo me inspira ou me drena?
Avaliar: essa escolha me aproxima dos meus valores ou me afasta?
Criar: posso transformar algo que incomoda em uma solução útil?
Educar para empreender é educar para focar
Ao ensinar os jovens a criarem soluções para seus bairros, escolas ou comunidades, estamos ensinando algo muito maior: a sair do consumo passivo de ideias e entrar no campo da construção ativa da realidade.
E mais: a usar a tecnologia como meio — e não como fim.
Reflexão Final
A economia da atenção vai continuar crescendo.
Mas podemos preparar uma nova geração que, em vez de ser consumida por ela, aprenda a usá-la com consciência, criatividade e impacto.
Ensinar pensamento crítico não é um extra.
É o novo alicerce da educação empreendedora.